Porque ser voluntário no educação sem fronteiras

3 de September de 2020
Por: Adriano Abdo

O voluntariado há 22 anos sempre esteve na minha vida de forma direta e indireta, iniciei o voluntariado aos 20 anos de idade em 1998 trabalhando na Fundação de Amparo ao Preso – FUNAP, Carandiru. Ali foram quase dois anos de trabalhos diários e contínuos, foram experiências maravilhosas, aprendizados únicos convivendo com pessoas de uma evolução e entendimento sobre a vida que eu não tinha em casa, aprendi muito no campo da vida, colaborando e ajudando o próximo.

Naquela fase da minha vida e ainda sem maturidade não imaginava as transformações internas dentro de mim ao trabalhar como voluntário no Carandiru e ajudar a melhorar o mundo do próximo, ao ajudar a reconstruir um mundo melhor a cada assistido que ali no parlatório carecia de uma palavra, uma atenção uma orientação.

Desde o ano de 1998 foram incontáveis trabalhos voluntários, desde trabalhos de assistência em instituições religiosas a trabalhos de ajuda em comunidades como construir uma quadra poliesportiva em comunidades carentes em São Paulo.

Hoje eu divido o mundo em duas partes em pessoas que optam em viver falando dos outros e pessoas que optam em viver ajudando os outros.

O segundo grupo de pessoas invariavelmente são as mais prósperas em todos os sentidos pois ao amar o próximo aprendem a se amar também, ao ajudar ao próximo compreendem quão pequenos são os seus problemas.

E ao entrarem nesse ciclo de compreensão do significado da vida a sua vida começa a ter significado, a sua autoestima não é mais a mesma, e percebe que suas ações surtem resultados não somente para o próximo mas para si pois no Universo tudo retorna as portas se abrem e o bem vai descobrir um caminho e uma forma de lhe ajudar e retribuir em dobro.

São mais de vinte anos de trabalho voluntário e hoje compreendo que é uma missão e durante essa caminhada de ajuda ao próximo eu percebi que existem outras pessoas na mesma trilha, outros missionários e são nesses encontros na arte de tantos desencontros da vida, parafraseando o poeta Vinicius de Moraes que eu conheci e convivi com grandes seres humanos.

Engraçado escrever sobre grandes seres humanos pois parece que essas pessoas vieram para humanizar o planeta um verdadeiro paradoxo, caberia aqui um debate sobre o tema, ainda mais em tempos conturbados numa sociedade tão adoecida e de pavio curto como nos tempos de pandemia.

E através da educação que vai vir o grande salto quântico da sociedade principalmente nos mais vulneráveis pois o impacto da educação na vida dos refugiados é enorme com resultados práticos através de uma mentoria acadêmica e bolsas de estudos.

Para finalizar lembro da célebre frase de Santo Agostinho, se o homem soubesse as vantagens de ser bom seria homem de bem por egoísmo.