A coragem diante do desconhecido nos levou a construção de uma nova terra

4 de setembro de 2020
Por: Adriano Abdo

Estávamos de férias em julho de 2017 na cidade de Nova Iorque sem prazos, sem obrigações de trabalho, estávamos apenas passeando e aproveitando as férias, foi uma viagem para descansar, apesar de difícil tarefa na big apple, mediante tantas atividades culturais, passeios, jantares e encontros com amigos.

Estávamos tomando um café da manhã num hotel quando o maitre sabendo que se tratava de um casal de brasileiros, pediu licença para iniciar uma conversa a respeito do seu sobrinho refugiado no Brasil e que precisava urgentemente de apoio e orientação.

A nossa empatia e troca de olhares foi muito positiva, confiante e sincera pois mesmo diante de um pedido de socorro nunca sabemos se aquilo que nos pedem é de fato, verdadeiro ou não, se é um golpe ou não, se é uma emboscada, uma armadilha.

Felizmente eu soube escutar a voz do meu coração e dizer sim para aquela ajuda daquele maitre que não conhecíamos a origem e família.

Mas algo dentro de mim dizia que era um pedido de socorro legítimo, a nossa empatia foi total e, depositamos confiança naquele maitre que então nos convida para almoçar na residência de sua família ao lado do brooklin bridge.

Não permiti que a voz do medo prevalecesse sobre a voz da intuição a voz da razão e do amor, pois naquele momento era só um pedido de ajuda, e assim no dia seguinte partimos para o almoço na residência dessa família síria.

Posso dizer que foi o almoço mais gostoso da nossa viagem pois ao entrarmos naquela residência nós fomos recebidos pela mãe daquele jovem refugiado que nos abraçou e nos recebeu da sua forma cultural com quitutes e comidas árabes que jamais vamos esquecer o sabor tudo absolutamente farto e gostoso.

Foi a melhor refeição da viagem, uma mesa farta de amor, farta de respeito, consideração e união, união daqueles irmãos, tios e mãe que buscavam desesperadamente por alguém que pudesse somente olhar o seu filho em um país estranho, longínquo, e de uma cultura desconhecida para eles.

Voltamos para São Paulo e então decidimos ajudar esse sírio refugiado no Brasil de nome Mohamed, e o nosso primeiro encontro vimos um rapaz assustado, sem esperança, sem brilho, achatado e forçado a trabalhos análogos a escravidão em uma comunidade.

Aquela cena nos estarreceu pois vimos diante de nossos olhos a crueldade de algumas pessoas que ao invés de ajudarem, se prevalecem de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, sem família, sem documentos, sem emprego fixo e sem orientação.

Nesse diapasão e tristes com aquele cenário decidimos alugar um quarto, comprar um colchão e uma TV aquele refugiado. Conseguimos ainda um emprego fixo com carteira assinada, e depois uma moradia fixa com uma boa família na cidade de São Paulo no bairro do jardim europa.

Nesse interregno sempre mantivemos contato com sua mãe, tio e família em NY que também corriam para obter uma espécie de permissão de entrada nos Estados Unidos.

Após um ano o Mohamed é sorteado com um greencard e agendado uma entrevista no Consulado dos Estados Unidos na cidade do Rio de Janeiro aonde é deferido o seu direito de entrada e moradia nos USA.

Nossa alegria foi tremenda e jamais vamos esquecer desse momento sublime ao refugiado, que por seus méritos e ajuda de todos iria finalmente depois de mais de dez anos reencontrar e morar com sua família na cidade de NY.

Assim concluímos esse artigo testemunhando a nossa alegria de servir e ajudar ao próximo, e dizer a todos vocês CORAGEM, pois o mundo precisa de pessoas com coragem para ajudar o próximo.

Um ato pode salvar não somente uma pessoa, mas todo o seu entorno e futuras gerações.

A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA TERRA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO

Aí começou o primeiro apontamento de concretização de um antigo sonho; ajudar a construir uma nova terra aonde a igualdade, respeito e tolerância pudessem prevalecer sobre o medo, sobre a intolerância e xenofobia.

E através do Educação Sem Fronteiras constituir um Fundo de bolsas de estudos que vai ajudar esses alunos a construir um futuro melhor em um ambiente acadêmico através da socialização entre os alunos e professores, transportando para a sala de aula outras realidades, estórias, e pontos de vistas além dos filmes e dos livros os alunos vão poder compreender o mundo de outra maneira.

E com esse êxodo de refugiados que aqui chegam e que aqui vão chegar a cada dia mais, que possam os refugiados ser acolhidos e orientados sobre as suas escolhas acadêmicas e repercussões para o seu futuro e próximas gerações.

O impacto para sociedade Brasileira é enorme pois os imigrantes mudaram a história da economia do Brasil, no século 18 mais de 7 milhões de italianos chegaram em São Paulo, temos a imigração polonesa e alemã, aqui em São Paulo temos a maior colônia japonesa fora do Japão, entre tantos povos que aqui chegaram e mudaram a nossa cultura e costumes.

É nesse sentido que nasce o Educação Sem Fronteiras se tornar um hub de apoio educacional orientando academicamente os refugiados e oferecendo bolsas de estudos, sendo que através da educação que vamos causar maior impacto na vida dessas pessoas e da sociedade Brasileira, construindo um Brasil com menos desigualdades e que acolha academicamente aqueles que aqui chegam, desguarnecidos de esperança, futuro, sem escolhas e sem orientação.

Somente através da educação vamos construir um mundo melhor para todos, uma nova terra, terra de esperança e de paz.